Adriano Jagmin d’ Avila, formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1992, treinando as Artes Marciais desde os onze anos de idade. Nestes 40 anos de arte marcial, procurou se especializar nos últimos 34 anos nas artes marciais chinesas.

Sempre buscando em sua pratica o caminho – o TAO ou DÔ, dentro das artes marciais, associadas ao código confucionista de respeito entre as pessoas e a exemplos de grandes sábios que trouxeram luz a humanidade (Confúcio, Buda, Gandhi e outros).
Vendo a arte marcial chinesa como um caminho de todos os corpos do homem: físico – como templo sagrado energético – como sopro Divino, e emocional – a nobre essência de cada ser. Eis um resumo de como encarar o trabalho da arte marcial chinesa.

Sou o mestre de arte marcial e técnicas orientais de massagem, não por ter títulos, mas por ter conquistado a luz em minha mente, para poder ser meu guia, e conseqüentemente guiar meus irmãos e irmãs, com sabedoria e amor.

Coragem e vontade em nossas ações, conhecimento e sabedoria em nossos pensamentos e sentimento e amor em nossas emoções serão nossas vivências.

Mestre Adriano d’ Avila

Relato do grão Mestre Feng Yicun

Para meu querido discípulo, Adriano

feng-yicun2Em 1996, quando eu estava treinando Tui Shou com amigos no parque Yi Jua da cidade Taiyuan, tivemos o primeiro encontro, tu eras atencioso, curioso, escrupuloso, observador e duvidoso. Muitas vezes tu vieste ,com teus amigos a minha casa pedindo ensinamentos. Uma vez, tu vieste a minha casa, disse que era brasileiro e se chamava Adriano, tu disseste que gostava da minha arte marcial e queria ser meu discípulo, eu te observara por muito tempo, e confirmei que tu eras sincero e respeitoso comigo, pois te admiti o meu primeiro discípulo estrangeiro. Tu foste cinco vezes a China, e durante este período eu me mudei duas vezes por motivo de construção civil, mas tu sempre podias me achar e aprender minhas artes marciais internas. Sempre mostraste a diligência, a assiduidade e a paciência. Tu me amavas e respeitavas e também a minha família. Em vários encontros estabelecemos a amizade e o amor firmes, foi a afinidade que uniu nosso coração.

 

Em 1997, tu vieste pela segunda vez a China, com amigos estrangeiros. Tu e teus amigos americanos e italianos, me deram , convite simultaneamente, porém não conseguiram tirar o meu visto. Mas, tu ,não desistiu, foste pessoalmente com a tradutora Márcia ao Consulado Brasileiro insistindo o meu visto. Por final, em 2003 conseguiu e vim pela primeira vez ao Brasil, esta já é terceira vez.

Pela primeira vez vim ao Brasil dar aulas, quando eu desembarquei do aeroporto, ao sair da porta, eu te vi, o meu querido discípulo Feng Guo Dong. Nos abraçamos por muito tempo, pois eu percebi que tu estavas tão preocupado por mim e por outro lado feliz de que eu podia te visitar. Foram ao aeroporto, também o teu amigo chinês Sr. Lin e muitos teus alunos.

Quando chegamos a casa, fui muito bem recebido por tua mãe, a tua família, por muitos amigos e alunos. Na tua academia estavam suspensórias as bandeiras chinesa e brasileira simbolizando o aliado dos ambos países. Vi também a minha foto e o meu nome propagando a arte marcial interna. Fizeram festas para mim, e me levaram a vários pontos turísticos e casas de alunos.

Mestre Adriano d'Avila em foto tradicional com seu mestre, o Grão-mestre Feng Yicun em março de 1999, na China.

Mestre Adriano d’Avila em foto tradicional com seu mestre, o Grão-mestre Feng Yicun em março de 1999, na China.

Todas as vezes que voltei para China contei minha experiência para meus tios mestres, irmãos da arte, alunos, amigos e família. Sobretudo, o que mais me emocionou foi o teu respeito e sinceridade, no dia a dia, me cuidaste e trataste como pai. No aprendizado, tu és diligente, laborioso, persistente e observador. Também tu tens competência de desempenho, desenvolvimento e organização, creio que tu és bom discípulo estrangeiro, e que podes divulgar e espalhar a arte marcial interna chinesa para todo o Brasil e América do Sul.

A arte marcial interna chinesa tem a prática de Qi Gong da antiga China. A condução da energia é pela mente e não por o movimento. A união do interno com o externo, do movimento com o repouso. Tem a função de fortificar o corpo, prevenir e combater a doença, aperfeiçoar a personalidade e eliminar o stress. Abrange as teorias de arte da beleza, arte da guerra, de medicina, de filosofia, de educação, de dinâmica e de marcial. É uma herança cultural da China. Tu tens virtudes de arte marcial chinesa. Espero que tu te dediques a fim de melhorar a saúde da humanidade com as artes marciais internas (Qi Gong, Tai Chi Chuan, Xing Yi e Ba Gua).

Mestre Feng Yicun, Taiyuan, China
1 de agosto de 2006

Nota: Taiyuan é uma cidade da China, capital da província de Shanxi. Tem cerca de 4.3 milhões de habitantes. Foi anteriormente conhecida por Yanggu.

Álbum de fotos Mestre Feng Yicun

Breve Histórico

1991 – Introdução do Estilo Hungar na Região Sul do Brasil.

1996 – Primeiro Brasileiro a travar contato em Shanxi, na China, com dois grandes expoentes do Tai Chi Chuan mundial: Grão Mestre Yang Zhenduo e Grão Mestre Feng Yicun. Facilitador da Unipaz nas seguintes práticas: Tai Chi Chuan, Liangong e Taoísmo.

1999 – Reconhecimento de discipulado pelo Grão Mestre Feng Yicun, China.

1999 – Sistematização da Ginástica Terapêutica Chinesa como método, aliando o Liangong e a prática do Qi Gong.

2001 – Filiação a International Yang Family Tai Chi Chuan Association e reconhecimento como diretor para o Rio Grande do Sul.

2001 – Criação do Tao Shiatsu, como método que alia movimentos do Shiatsu clássico, Tui Ná (Massagem Chinesa) e Qi Gong.

2005 – Reconhecimento como Mestre de Tai Chi Chuan pelo Grão Mestre Feng Yicun, China. Professor do curso de pós – graduação em psicologia transpessoal da Unipaz nas seguintes disciplinas: Tai Chi Chuan e Taoísmo.

2006 – Reconhecimento como Mestre de Qi Gong pelo Grão Mestre Feng Yicun,China.

5 Viagens a China – Breves Relatos

1ª Viagem – Novembro de 1996

Em foto com o grão mestre Yang Zhen Duo e esposa na viagem a China em 1996.

Em foto com o grão mestre Yang Zhen Duo e esposa na viagem a China em 1996.

Minha 1ª viagem a China veio depois de 14 anos de prática nas artes marciais chinesas, e mais de 10 anos de formação em Kung Fu, Tai Chi Chuan e Chi Kung em São Paulo.

Entre 94 e 95, me percebi da imensa falta de possibilidades, para articular meu treinamento em Tai Chi Chuan no Brasil, e comecei a desenvolver um projeto, para encontrar o que havia de melhor no Tai Chi Chuan mundial.

Descobri o grande Mestre Yang Zhen Duo e seu neto Mestre Yang Jung em Shanxi, uma província chinesa à noroeste de Beijing. Grão Mestre Yang Zhen Duo é filho do famoso Mestre Yang Cheng Fu.

Por 40 dias, fiz muitos amigos e tive inúmeras experiências gratificantes.

Palestras na universidade, passeios a museus e parques históricos, práticas em grupo nos parques e aulas particulares na casa dos mestres e de amigos chineses e americanos.

Os fatos que mais marcaram esta primeira viagem foram: a grande amabilidade dos chineses, o fato de ser o primeiro brasileiro a ter contato com eles e o principal, conhecer um grande mestre e amigo, Grão Mestre Feng Yicun, um famoso mestre da região, rico em habilidades marciais – Tai Chi Chuan, Ba Guá , Xing Yi , Lo Han e Shao Lin do Sul entre outros, porém, mais do que tudo, um grande mestre, rico em habilidades humanas.

Nota1: Mestre Yang Zhenduo, representa a 4ª Geração da Família Yang

Nota2: Em 1996 a Academia Chinesa de Wushu reconheceu o Mestre Yang Zhenduo como um dos 100 principais Mestres de Wushu na China. Também recebeu títulos honoríficos das prefeituras de San Antonio, Texas, e de Troy, Michigan.

Nota3: Em Outubro de 1998 Yang Zhenduo fundou a Associação Internacional de Tai Chi Chuan estilo Yang, a qual serve como Presidente do Conselho. Sob sua liderança, em apenas um ano esta associação internaciona conseguiu integrar 18 centros em 9 países, contando então com mais de 350 membros.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

2ª Viagem – Julho de 1997

Bem! Minha volta a China em 1997 foi com muito mais expectativas que da primeira vez, pois seria o reencontro com grandes mestres e amigos que havia deixado na China, além disso, seria a realização de dois eventos internacionais.

O primeiro campeonato internacional da família Yang e o primeiro seminário internacional. Pessoas dos mais diversos países do mundo estavam se fazendo representar sendo que os maiores grupos eram dos EUA e Suécia.

Foi muito emocionante ser o único brasileiro a representar nosso país. Uma pequena chinesa à frente com a placa escrito em chinês Ba Si (Brasil).

O contato com inúmeros participantes, alguns bem avançados ,de todo mundo reforçaram muito meus conhecimentos.

O seminário internacional foi um grande sucesso. Orientados pelo Grão Mestre Yang Zhen Duo e Mestre Yang Jung, todos foram agraciados com a experiência e a amabilidade destes grandes líderes do tai chi chuan mundial.

Pude estreitar também meus conhecimentos marciais e humanos com meu grande mestre Feng Yicun, apresentando este, a alguns amigos professores americanos e italianos, que ficavam deslumbrados com sua grande performance, principalmente marcial e energética.

Recebi nesta viagem a china um grande honra, meu nome em chinês – Feng Guo Dong (aquele que é especial e vem de longe).

3ª Viagem – Março de 1999

No ano de 1999 tive a oportunidade de mais uma vez retornar a China junto a queridos amigos e mestres.

Desta vez, passados quase dois anos de minha última visita, a China havia mudado bastante, principalmente a tecnologia e a maneira das pessoas se vestirem e comunicarem.

Fui agraciado assim que cheguei. Havia entrado no hotel as 01:30 da madrugada e às 6:20 da manhã, bateu em minha porta, meu grande mestre Feng Yicun e um colega Shi Yan Fang, me convidando para ir a sua casa, a casa de meu mestre. Sabia que naquele momento eu estava sendo recompensado com um mérito muito grande. Entrar na vida privada de meu mestre, comer sua comida, dormir sob o mesmo teto e ter a rara oportunidade de conviver com ele durante todo o tempo, assim como sua esposa, filhos e amigos que iam constantemente visitá-lo.

Nesta estadia ele me reconheceu como discípulo através de foto oficial, escreveu meu nome na árvore genealógica da família (algo no Brasil como ser adotado oficialmente e poder usar o sobrenome do pai) e me deu um carimbo com meu nome.

4ª Viagem – Março de 2000

Ano de 2000, ano de finalizar meus conhecimentos de Ba Guá, de estreitar meus laços com minha “família chinesa”- a família sanguínea do mestre, seus discípulos e alunos, pois agora já sou reconhecido como membro desta.

Minha mãe chinesa, a esposa do mestre, ou Shimu, brinca: eii; eu respondo: Guo Dong! O ambiente que já era acolhedor e familiar anteriormente, ficou mas gostoso de vivenciar, pois treinar uma arte marcial, é vivenciar estes momentos humanos.

A China, por incrível que pareça, continua seu processo de mudanças. Em um ano, continuam em franca expansão mudanças de hábitos: redes de fast food, internet, maneira de vestir-se. Inúmeras novas construções surgem, parece que uma nova China esta sendo construída.

5ª Viagem – Julho de 2002

Por incrível que pareça todos me perguntavam se eu já conhecia bem a cidade proibida, as muralhas de Pequim e muitas outras praças históricas chinesas, mas como minha prioridade foi sempre a prática, somente tive a oportunidade de conhecer lugares históricos perto de Shanxi.

Desta vez coloquei para mim que era chegado o momento de conhecer outros lugares, a novidade era que não estava indo sozinho, mas ia com uma aluna, a Bárbara que já ansiava em conhecer a China há mais de 1 ano. Fomos então com três objetivos:

– conhecer todos os lugares históricos possíveis;
– participar do 2º Campeonato Internacional realizado em Shanxi.;
– apresentá-la para meu grande mestre e amigo Feng Yicun.

Bem! Viajar sozinho para mim era uma realidade bem clara, mas viajar com outras pessoas, principalmente aluna, cheia de expectativas era uma novidade bem grande.

Nossos objetivos foram bem satisfatórios, ela só não quis participar do campeonato, preferindo estreitar os laços com outros praticantes de Tai Chi Chuan mundial e também com meu mestre, e meus colegas.

Fui também apresentado, em alguns banquetes para muitos alunos antigos de meu mestre que ainda não conhecia o que foi muito enriquecedor.

Observação:
Após este período não mais retornei a China, pois organizei 3 eventos com os mestres da família Yang: Yang Zhen Duo e Yang Jun, no Rio Grande do Sul; e trouxe meu mestre Feng Yicun, por 3 vezes para o Brasil: São Paulo e Rio Grande do Sul, onde este ficou sempre por um período maior do que 60 dias, resolvi trazer a China e sua sabedoria, através destes grandes mestres, para perto de mim e de meus alunos, amigos e familiares.

Álbum de fotos Viagens a China